IA

Como medir o ganho real de produtividade com IA

Como medir se a IA está realmente economizando tempo na agência, quais números acompanhar e por que a sensação de produtividade engana com frequência.

Israel A. Cardoso
Israel A. Cardoso
·3 min de leitura
IA

Toda agência que adota IA sente que ficou mais rápida. A sensação é real e não serve como prova, porque ferramenta nova sempre parece boa nas primeiras semanas.

Quando alguém pergunta quanto tempo foi economizado, a resposta costuma ser um número redondo tirado do ar. E aí não dá para decidir nada: nem investir mais, nem cortar assinatura, nem mudar processo.

Por que a percepção engana

Três motivos, e todos aparecem em qualquer agência:

O trabalho muda de lugar. O redator escreve mais rápido e o revisor demora mais. O tempo total pode não ter mudado, só mudou de mão.

Você lembra do bom. A vez em que a IA resolveu em cinco minutos fica na memória. As três vezes em que você refez tudo, não.

O tempo economizado é reinvestido. Se sobra uma hora e ela vira mais uma rodada de ajuste, o cronograma não muda. Ganho existe, resultado não aparece.

Os quatro números que importam

1. Tempo de ciclo por entregável. Da entrada da demanda até a entrega aprovada. Medido pelo sistema, com data e hora, não por estimativa de quem fez.

2. Taxa de retrabalho. Quantas rodadas de ajuste em média. Se o tempo cai e o retrabalho sobe, você não ganhou nada, empurrou o problema para frente.

3. Volume por período. Quantos entregáveis do mesmo tipo saem por semana com o mesmo time. É o número que mostra capacidade, que é o que interessa para crescer sem contratar.

4. Tempo em tarefa que não gera valor. Coleta de dado, montagem de relatório, formatação. Se a IA entrou para tirar isso, é aqui que a queda deveria aparecer.

Meça um tipo de entregável, não a agência inteira

Escolha o entregável mais repetitivo que vocês produzem e acompanhe só ele por um mês. Métrica geral de agência mistura coisas demais para dizer qualquer coisa.

Como montar a linha de base

Duas semanas antes de mudar qualquer coisa:

  1. Escolha um entregável padrão
  2. Registre início e fim de cada um, pelo sistema
  3. Conte as rodadas de ajuste
  4. Anote quantos saíram no período

Só isso. Sem linha de base, qualquer discussão depois vira "eu acho que melhorou" contra "eu acho que não".

O que fazer com o resultado

Se o tempo caiu e o retrabalho ficou igual: ganho real. Decida agora o que fazer com a capacidade liberada, senão ela evapora em trabalho a mais.

Se o tempo caiu e o retrabalho subiu: você trocou tempo de produção por tempo de revisão. Pode até valer, mas precisa ser decisão consciente, não descoberta.

Se nada mudou: provavelmente a IA entrou numa etapa que não era o gargalo. O gargalo continua onde estava, normalmente na aprovação do cliente ou na decisão interna.

Esse terceiro caso é o mais comum, e é o motivo pelo qual mapear o processo vem antes de adotar ferramenta.

A pergunta final

Depois de um mês com números na mão, responda: a agência entrega mais, com a mesma qualidade, com o mesmo time?

Se sim, você tem margem nova. Se não, você tem uma assinatura a mais e uma sensação boa. As duas coisas custam dinheiro; só uma paga.

FAQ

Perguntas frequentes

Preciso medir antes de adotar?+

Precisa, senão não existe comparação possível. Duas semanas de linha de base resolvem. Sem isso você vai discutir percepção, e percepção sobre ferramenta nova é sempre otimista.

Qual indicador é o mais confiável?+

Tempo do início ao fim de um entregável padrão, medido pelo sistema e não pela lembrança de quem executou. É o que menos depende de opinião.

E se o tempo cair mas a qualidade cair junto?+

Aí não houve ganho, houve troca. Por isso todo acompanhamento de tempo precisa vir com um indicador de retrabalho ao lado.

Faz sentido medir por pessoa?+

Não. Medição individual vira vigilância e distorce o comportamento. Meça por tipo de entregável, que é onde a decisão de processo acontece.

Compartilhar
Israel A. Cardoso

Founder e CEO do GRUPO ISRL. Antes de criar o método, atuou como COO em agências de marketing, liderando a estruturação de processos e operações que precisavam escalar sem perder o controle. Mais de 6 anos no mercado digital.

Continue lendo

Outros artigos pra você