Operação

Matriz de responsabilidade: quem decide e quem executa

Como montar a matriz de responsabilidade da agência para acabar com a dúvida sobre quem decide, quem executa e quem aprova cada etapa da entrega.

Israel A. Cardoso
Israel A. Cardoso
·2 min de leitura
Operação

Existe uma pergunta que revela a saúde da operação de qualquer agência: quem decide se essa peça está pronta para ir ao cliente?

Se a resposta for "depende", ou "normalmente eu", você encontrou o motivo de o dono não conseguir sair de dentro da operação.

O problema não é falta de gente boa

É falta de definição. Quando ninguém sabe quem decide, acontece uma de duas coisas, e as duas são ruins:

Tudo sobe. Toda dúvida vira pergunta para o dono, que vira gargalo de tudo, inclusive de decisões que não deveriam chegar nele.

Ninguém decide. A peça fica parada esperando alguém se manifestar, e o prazo estoura sem que ninguém tenha errado tecnicamente.

A matriz mínima

Não precisa de método complicado. Para cada etapa do processo, quatro colunas:

EtapaExecutaDecidePrecisa saber
Briefingatendimentoatendimentocriação
Criaçãodesignerdireção de arteatendimento
Revisão de textoredatorredatorn/a
Aprovação internadireçãodireçãoatendimento
Envio ao clienteatendimentoatendimentodireção
Publicaçãomídiamídiaatendimento

Três regras para preencher:

  1. Uma pessoa na coluna "decide", sempre. Nunca duas.
  2. "Precisa saber" é curto. Se muita gente precisa saber de tudo, a coluna vira lista de e-mail e ninguém lê.
  3. Papel, não nome. Assim a matriz sobrevive à troca de pessoas.
Comece pelas três etapas que mais travam

Não tente mapear a agência inteira. Pegue as três etapas onde as coisas mais ficam paradas e defina só elas. O resto vem depois, com menos resistência.

O teste que expõe a verdade

Depois de preencher, faça a pergunta ao time, um por um, sem mostrar a tabela: quem decide se essa peça vai para o cliente?

Se as respostas divergirem, a matriz não existia de fato, existia na sua cabeça. E é exatamente essa divergência que produz o retrabalho que ninguém consegue explicar.

O que muda quando existe

O dono sai do meio. Não porque decidiu delegar, mas porque a decisão tem outro dono escrito.

A conversa muda de tom. Deixa de ser "por que ninguém fez" e passa a ser "o responsável por essa etapa é X, vamos entender o que travou".

A contratação fica mais fácil. Você sabe qual papel está sobrecarregado e qual falta, em vez de contratar "mais um de tudo".

O erro que anula tudo

Montar a matriz e continuar decidindo por cima dela.

Se o time percebe que a decisão delegada é desfeita pelo dono sempre que ele discorda, a matriz vira papel na parede em duas semanas. A delegação não é sobre o documento; é sobre sustentar a decisão de quem você nomeou, inclusive quando você teria feito diferente.

Conversar depois, ajustar o critério, treinar. Mas desfazer em público, não.

FAQ

Perguntas frequentes

Matriz de responsabilidade não é burocracia demais para agência pequena?+

Em agência pequena ela cabe numa página e resolve o problema mais comum, que é tudo passar pelo dono. Burocracia é quando a matriz tem dez papéis por tarefa; uma linha por etapa não é burocracia, é clareza.

Quem deve ser o aprovador final?+

Uma pessoa por etapa, sempre. Aprovação compartilhada trava, porque ninguém assume e todo mundo espera o outro se manifestar.

E quando o dono discorda da decisão de alguém?+

Ele conversa depois, não desfaz na frente do time. Desfazer decisão delegada em público ensina que a delegação era de mentira.

Com que frequência revisar?+

Quando alguém entra, quando alguém sai e quando um conflito de decisão acontecer duas vezes. Revisão por calendário costuma não acontecer.

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Israel A. Cardoso

Founder e CEO do GRUPO ISRL. Antes de criar o método, atuou como COO em agências de marketing, liderando a estruturação de processos e operações que precisavam escalar sem perder o controle. Mais de 6 anos no mercado digital.

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