Comercial

Diagnóstico comercial antes de mandar a proposta

Por que mandar proposta sem diagnóstico derruba a taxa de fechamento e como conduzir a conversa que faz o cliente perceber o problema antes do preço.

Israel A. Cardoso
Israel A. Cardoso
·2 min de leitura
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A cena é comum: o lead chega, pede orçamento, e a agência manda a proposta no dia seguinte. Depois vem o silêncio, ou a resposta de que "ficou acima do esperado".

O problema quase nunca é o preço. É que o cliente recebeu um preço antes de entender o problema que está comprando resolver.

O que a proposta sem diagnóstico comunica

Sem querer, ela diz três coisas:

"Você é igual aos outros." Se a proposta pôde ser escrita sem conversar, ela serve para qualquer um. E se serve para qualquer um, a decisão vai por preço.

"Não sabemos o que você precisa." Escopo montado por suposição costuma trazer o que a agência gosta de vender, não o que resolve.

"O risco é seu." Sem diagnóstico, quem precisa descobrir se aquilo funciona é o cliente, depois de assinar.

As perguntas que sustentam o diagnóstico

Cinco blocos, em ordem:

1. Situação atual. O que existe hoje, quem faz, com que resultado. Ainda sem opinião.

2. O que já tentaram. É a pergunta mais reveladora e a menos feita. Ela mostra o que não adianta propor e por que a última tentativa falhou.

3. Impacto. O que esse problema custa hoje, em dinheiro, em tempo ou em oportunidade perdida. Se o cliente não consegue responder, ele ainda não considera isso um problema, e não vai pagar para resolver.

4. Quem decide. Quem participa da decisão, o que essa pessoa valoriza, qual o processo interno de aprovação.

5. Prazo e consequência. Quando isso precisa estar resolvido e o que acontece se ficar para depois.

A pergunta que muda a reunião

"O que acontece se vocês não fizerem nada sobre isso nos próximos seis meses?" Se a resposta for "nada demais", você acabou de descobrir que não há venda ali, e economizou uma proposta.

Devolva o diagnóstico antes do preço

Aqui está o passo que a maioria pula. Antes de mandar a proposta, devolva o que você entendeu:

  • O problema, com as palavras que o cliente usou
  • O que você observou que ele não mencionou
  • O que precisa ser resolvido primeiro, e por quê
  • O que não vale a pena fazer agora

O último item é o que mais gera confiança. Fornecedor que tira coisa do escopo comunica que está pensando no resultado, não no tamanho do contrato.

Quando o preço chega depois disso, ele chega ligado a um problema que o cliente já reconheceu. É outra conversa.

O efeito na operação

Diagnóstico não melhora só a taxa de fechamento. Ele melhora quem entra.

Cliente que passou por diagnóstico chega com expectativa alinhada, sabe o que foi combinado e por quê. Cliente que comprou um preço chega achando que comprou outra coisa, e a primeira reunião de operação vira renegociação de escopo.

Metade dos problemas de operação de agência nasce no comercial. Essa é a etapa onde eles são baratos de evitar.

FAQ

Perguntas frequentes

E se o cliente pedir a proposta na primeira mensagem?+

Responda que você manda, e que precisa de vinte minutos antes para não mandar algo genérico. Quem recusa vinte minutos raramente fecha, e quando fecha costuma dar trabalho.

Quanto tempo deve durar o diagnóstico?+

Entre trinta e quarenta e cinco minutos resolve na maioria dos casos. Mais que isso vira consultoria gratuita antes de existir contrato.

Posso cobrar pelo diagnóstico?+

Pode, quando ele é profundo e entrega um documento com valor próprio. Diagnóstico rápido de qualificação normalmente é parte do processo de venda e não se cobra.

Como não parecer interrogatório?+

Explique no começo por que você vai perguntar e o que vai fazer com as respostas. Pergunta com contexto soa como método; pergunta solta soa como formulário.

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Israel A. Cardoso

Founder e CEO do GRUPO ISRL. Antes de criar o método, atuou como COO em agências de marketing, liderando a estruturação de processos e operações que precisavam escalar sem perder o controle. Mais de 6 anos no mercado digital.

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